segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Dia de levar folhas de Coca para EL TÍO

As super-mineiras

Acordamos as 8, tomamos café e nos apressamos para o terminal, pois nosso onibus saía as 10h. Seriam tres horas de viagem, e a excursao para as minas estava marcada para 14h. A empresa era Turismo Claudia (www.turismoclaudia.com), em colaboracao com a Joy Ride.
Chegamos em Potosi 13h30 e ligamos para a agencia, que mandou um carro nos buscar. Aproveitamos para ¨almocar¨ enquanto aguardávamos na escada da rodoviaria; barrinhas de cereal, sementes de girassol, mix de castanhas e suco Ades. Tudo seguindo o aviso de nao comer em qualquer lugar da Bolivia, e as regras para nao passar mal com a altitude: ¨Camina lentito, come poquito y duerme solito¨. Haha!
Uma moca nos buscou e aconselhou o Hostal Carlos V (bem legal, $70Bs por pessoa, com cafe da manha, banho quente e wifi), onde passamos rapidamente para deixar nossas malas antes de seguir para as minas.
No comeco do passeio, uma pausa no mercadinho dos mineiros para comprar ¨regalos¨para os trabalhadores: folhas de coca, refrigerante e cigarros. Dali passamos a um depósito, onde trocamos de roupa para nos tornar ¨mineiras¨ por um dia: casquetes, lanternas, abrigos de tectel e galochas. Eles também recomendam que se coloque um saco plástico por cima da meia, para evitar a entrada de água. (Como sou sortuda, o truque nao ajudou em nada: depois da segunda poça, um dos meus pés já estava encharcado. NICE!)
Do depósito segue-se para a entrada da mina. Logo na primeira subida já sentimos o peso da altitude (e da idade?). Ao fim de 10 degraus, já estavamos pedindo para sair!
No corredor de entrada da mina é possivel perceber o ¨programa de índio¨ ao qual estávamos nos submetendo: ar contaminado e rarefeito, obstáculos ¨arriba y abajo¨, buracos, lamaçais, sujeira.
Nosso guia Juan de Dios foi mostrando o perrengue e explicando como funcionava o trabalho ali até encontrarmos Luis, um mineiro de 15 anos, que trabalha na mina a dois. O depoimento do garoto foi sincero, triste e interessante. Ele começou para ajudar o pai, que também trabalha ali, e sonha sair dali assim que seu velho aposentar (provavelmente dentro de um ano). O garoto trabalha de 5 da manha até o fim de tarde, e a noite vai a escola, descansando no maximo cinco horas por dia. Nos contou que nao deixa nenhum de seus irmaos trabalharem com ele, pois afirma que “o minerador nao tem futuro, nao sabe o que acontece amanha, vive apenas o dia.”
Thamy se sentiu um pouco mal com o ar rarefeito e abafado. Pouco depois, foi a minha vez. Nos sentamos ate melhorar e pedimos ao guia que encurtasse um pouco o passeio para as coisas mais interessantes. Entao, ele nos levou ao senhor da mina: El Tío!

Nosso novo amiguinho, El Tio

El Tío é o diabo/deus da mina, para quem se deve levar as seguintes oferendas: folhas de coca, álcool e cigarros. Nos sentamos juntinho dele, trocamos umas idéias e ouvimos Juan de Dios nos explicar como funcionava o relacionamento com o bicho. Ele acendeu um cigarrinho na boca dele e explicou que as marcas vermelhas na parede eram sangue de ovelha. 
Saímos da mina por volta de 17h e esperamos meia hora pelo transporte de volta ao hostel. Tomamos um banho e fomos jantar no Manzana Magica, vegetariano, claro. No caminho, Thamy aproveitou para comprar mais um casaco (ela nunca sente calor, só frio, e tem sofrido um bocadinho por aqui).
A rua estava lotada, pois era dia dos namorados. Ficamos animadas a sair, num pub do lado do hostel, chamado "Highlander". O movimento estava fraco e desistimos rapidinho, lembrando da noitada de Sucre.
Fomos para o Hostel, eu e Dafne ficamos batendo papo sobre as maravilhas da acessibilidade a criacao audiovisual na atualidade por varias horas. Depois fomos dormir, quentinhas, felizes e com wi-fi que prestava! Yay! :)

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