Dafne e Thamy
Eu vocês já conhecem! :-)
Vou aproveitar meu blog para contar as ave/desventuras da minha atual viagem: no momento, estou em Santa Cruz de La Sierra com duas amigas. A ideia é investigar linguagens para um programa de turismo, por isso vou relatando tudo que acontece. Pode parecer maçante ou detalhado demais, mas sao informaçoes que fazem a diferença na hora de pensar um programa-piloto, e de editar nosso material.
Somos três garotas, de 23 e 24 anos. A Thamy é formada em cinema, Dafne faz psicologia e eu sou formada em Radio&TV. Todas as três amam viajar: Já nos encontramos em diversas partes do Brasil e também em Berlim, onde comemoramos meu aniversário juntas no ano passado. Há algum tempo elas tiveram a ideia de ir para a Bolivia, e eu quis acompanha-las. Sempre gostei de viajar sozinhas mas também sentia falta de amigas que gostassem do mesmo! Finalmente encontrei. :-)
A Thamy é viajante de carteirinha: está na estrada desde dezembro, com alguns pit stops em casa. Já passou pela Argentina e Peru, agora viaja pela Bolívia e antes de maio ainda vai parar no Japao! A Dafne tambem ama viajar, mas ainda esta um pouco presa pela facul e pelos pacientes que precisa atender com regularidade. Eu me formei em dezembro do ano retrasado e desde entao felizmente estou soltinha pelo mundo, viajando sempre que posso. Esse ano já passei por Santa Catarina, Sao Paulo, Rio, Minas Gerais e agora Bolivia. Tudo por trabalho + prazer. O ano começou bem.
Depois de algumas (poucas) conversas pelo facebook, a Dafne e a Thamy elaboraram nosso roteiro, que é mais ou menos o seguinte:
Corumbá 1 night 9-10/2
Puerto Quijarro 1 night 10-11/2
Sta Cruz de la Sierra 1 night 11-12/2
Sucre 3 nights 12-15/2
Potosi 2 nights 15-17/2
Uyuni 4 nights 17-21/2 (2-day/3-night desert tour, salt hotel)
(Oruro) 1 night ? 21-22/2
La Paz 4 nights 22-1/3
O plano das meninas era partir dia 7 e passar dois dias em uma fazenda do Pantanal, e depois seguir para Corumbá, onde nos encontraríamos. Elas perderam o vôo e partiram dia 8, o que significa que precisei passar um dia sozinha em Corumbá, pois meu vôo partia de SP dia 9. Como eu precisava muuuito descansar (toquei numa balada em SP dia 8), cheguei em Corumbá, pesquisei hotéis no aeroporto e dormi o dia todo. A noite as meninas entraram em contato comigo e combinamos de nos encontrar no dia seguinte, na rodoviária da cidade, as 12h.
Da rodoviária pegamos um táxi e fomos cruzar a fronteira Brasil-Bolívia. Primeiro precisamos pegar uma fila gigante do lado brasileiro, para registrar nossa saída. O guichê estava fechado e esperamos mais de uma hora até abrir. Conseguimos passar na frente de algumas pessoas (Thamy conversou com o fiscal) e depois de tudo carimbado, seguimos para a alfandega Boliviana, que também estava fechada! Mais uma hora e meia de espera e finalmente conseguimos o que era preciso para entrar nesse país.
Pegamos outro táxi (1 real=4 bolivianos, o que faz com que tudo seja MUITO barato) para Puerto Quijarro (cerca de 10min), onde tinhamos pesquisado um hostel. O carro quase atolou no caminho para o hostel e resolvemos ir direto para a estaçao ferroviária conferir se ainda era possivel embarcar no trem da morte.
As passagens estavam esgotadas, mas um boliviano prometeu nos colocar dentro do trem, em troca, é claro, de propina. Aviso aos navegantes: quem acha que o RJ está cheio de malandrinhos vai se surpreender por aqui! Todo mundo quer ganhar dinheiro em cima de você, em qualquer oportunidade. A diferença é que aqui 10 reais vale bastante.
Trocamos dinheiro com uma tia na porta da rodoviária e subimos para esperar o trem, que nao tem hora certa: poderia ser as 15h, 15h40, 16h... enfim, quando aparecer. Esperamos até 16h40 para por fim ouvir um aviso de que havia um alagamento em parte da estrada de ferro e os vagoes nao conseguiam chegar até aquela estaçao. Se quiséssemos viajar, era necessário pegar um taxi até Yakuces, meia hora distante. Depois de muita confusao (incluindo bolivianos brigando e correndo com nossas malas para decidir qual taxi iriamos embarcar), seguimos para Yakuces com o tio da propina, numa carcaça de táxi.
Ao chegar na estaçao de Yakuces, muita confusao: nao sabiamos onde sentar, quais passagens já estavam vendidas, e se corríamos o risco de ser expulsas. Depois de mais desinformaçoes, deixamos nossos documentos com o trocador (dica: sempre ter algum documento além do passaporte) trocamos de lugar cerca de quatro vezes e conquistamos nosso espaco.
O trem é sujo, mas nao é dos piores. Nosso vagao era semi-leito e tinha ar condicionado. Na TV, um aparentemente herói Boliviano intitulado el Rey "Vicente Fernandez" embalava nossa viagem com seus clipes er, digamos, surreais. A viagem foi relativamente tranquila. Arriscamos um jantar na lanchonete (fomos avisadas por meio mundo para nao comer em qq lugar por aqui) e conseguimos dormir. No meio da noite, aparece um policial mais o trocador reclamando em espanhol incompreensível que nao poderiamos estar sentadas naqueles lugares. Aparentemente um deles se sensibilizou e nos deixou ficar ali.
É uma coisa marcante daqui: eles falam com você em espanhol super rapido, vc faz aquela cara de quem nao entendeu nada e eles nao repetem. A comunicacao é difícil.
Durante a viagem o trem encheu mais, com famílias sentadas nos corredores, crianças dividindo cadeiras e muita visao de desconforto. O cheiro também nao era dos mais agradáveis.
Chegamos a Santa Cruz de La Sierra as 7 da manha, já garantimos nossa passagem para Sucre as 16h30 e pegamos um hotel em frente a rodoviária. Hotel que aparentemente um dia já foi legal, e hoje é sujinho, com toalhas limpas no chao, cabelos na pia e pingos de sangue na parede.
Nada que já nao tenhamos experimentado pior!
(ps. Infelizmente esqueci o cabo da minha câmera Sony, entao nao sei quando postarei fotos.)
Até a próxima civilizaçao! :)


1 comentários:
Jesus me chicoteia!
Vai na fé amiga que eu vou tentando minahs férias aqui para estar em Floripa logo após o carnaval.
Bjos!
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